Calendário maia · a Cruz
A Cruz Maia
A Cruz Maia lê o dia de nascimento junto com quatro dias que o cercam: o da concepção, o do destino e um de cada lado. Veja de onde ela vem, como se calcula a partir da data e o que cada posição costuma dizer.
Atualizado em 7 de outubro de 2026
Em resumo
- A Cruz junta cinco dias: o do nascimento no centro e quatro em volta.
- Conta-se 8 dias para trás (a concepção), 8 para a frente (o destino) e 6 para cada lado.
- O número de cada posição é o do dia real: o tom viaja junto com o nawal.
- Há também a Cruz de 9, com dois auxiliares em volta de cada posição.
- É uma leitura dos praticantes, e não aparece nos estudos acadêmicos sobre a contagem viva.
1. O nascimento e os dias em volta
No calendário maia, quem nasce recebe o dia: o nawal e o número daquela data. Mas os que contam os dias não leem só ele. Somam ao nascimento o nono dia contado para trás e o nono contado para a frente, com o próprio nascimento entrando na conta.
A Cruz Maia organiza essa leitura numa figura de cinco casas: o nascimento no centro, a concepção em cima, o destino embaixo e um dia de cada lado. Cada casa é um dia do calendário, com o seu nawal e o seu número.
A ligação com a gestação é direta. Os k'iche' explicam os 260 dias pela gravidez, que dura perto de nove luas, e é nesse espírito que o dia da concepção entra na leitura.
A Cruz lê o seu dia junto com os vizinhos dele.
2. Como calcular
A conta parte da data de nascimento. Contando o nascimento como o primeiro dia, o nono dia para trás fica a 8 dias de distância, e o nono para a frente também. Por isso a concepção é o dia que fica 8 dias antes do nascimento, e o destino, o dia 8 dias depois.
Os dois lados ficam a 6 dias: um 6 dias antes, o outro 6 dias depois. Duas vozes da tradição, independentes uma da outra, chegam a esses mesmos saltos, e nenhum dos livros consultados contradiz a conta.
Há quem desenhe a Cruz só com os nomes, sem número. Quando o número entra, é o do dia real: o tom anda junto com o nawal. Quem nasceu num 4 Ajpu não tem a concepção num 4, e sim no número que aquele dia, 8 antes, de fato teve.
O exemplo abaixo faz a conta para 21 de dezembro de 2012. Para a sua Cruz, basta a data de nascimento.
Oito para trás, oito para a frente, seis para cada lado.
| Posição | Data | Dia |
|---|---|---|
| Concepção (−8) | 13 de dezembro de 2012 | 9 E |
| Lado direito (−6) | 15 de dezembro de 2012 | 11 I'x |
| Nascimento (0) | 21 de dezembro de 2012 | 4 Ajpu |
| Lado esquerdo (+6) | 27 de dezembro de 2012 | 10 Kame |
| Destino (+8) | 29 de dezembro de 2012 | 12 Q'anil |
3. O que cada posição diz
A concepção, 8 dias antes, costuma falar de onde a vida vem: o passado, a família, os antepassados. Há quem a leia com o mesmo peso do nascimento.
O destino, 8 dias depois, é o nome que a tradição dá para onde a vida se encaminha, e há quem acrescente a palavra missão. Outra leitura chama esse mesmo dia de aquele em que o nawal da pessoa se firma.
Os dois lados se leem de dois modos. Num, são os hemisférios direito e esquerdo da pessoa, cada um trazendo o que o nawal daquele lado tem. No outro, são auxiliares, dias que ajudam a posição do meio.
Os dois dias de nove têm ainda outros nomes: o dia da sorte do passado e o dia da proteção do futuro.
Em cima, de onde você vem; embaixo, para onde vai.
4. A Cruz de 9
Uma versão mais ampla da Cruz usa nove nawales em vez de cinco. A concepção, o nascimento e o destino ganham cada um dois auxiliares: o dia 6 antes e o dia 6 depois de cada um deles.
O desenho vira uma grade de três por três, com a concepção em cima, o nascimento no meio e o destino embaixo. Nessa leitura, os nove nawales correspondem às nove luas de quem nasce.
Soma-se também o número dos nove dias. O total, que vai de 53 a 73, mede as forças da pessoa, e quem ensina essa conta diz que ela vem dos avós ajq'ijab'.
A Cruz de 5 cabe inteira dentro da de 9: são a coluna e a linha do meio da grade, os mesmos cinco dias nos mesmos lugares.
A Cruz de 5 é o coração da Cruz de 9.
5. Como se desenha
Na figura, o dia 6 antes do nascimento fica à esquerda de quem olha, e o dia 6 depois, à direita, como uma pessoa de frente para nós.
Por isso o lado direito da pessoa aparece do lado esquerdo do papel. Na prática, quem compara desenhos de fontes diferentes faz bem em olhar a data de cada casa, e não a posição na página.
A Cruz olha para você.
6. De onde vem a Cruz
A Cruz Maia é uma leitura dos praticantes. Os estudos acadêmicos sobre a contagem viva descrevem a leitura pelo dia de nascimento, a cara do dia, sem dia de concepção nem posições em cruz.
O mais perto disso nos registros de campo são as saias de Zunil: desde 1987, muitas mulheres mandam tecer nelas os glifos dos seus três dias, o do nascimento, o da concepção e o do futuro.
A cruz também é sinal de ofício. Na iniciação, o novo ajq'ij recebe uma mesa e uma cruz, e essa cruz de braços iguais aponta os quatro rumos e a árvore florida da vida.
A Cruz pessoal é tradição de quem conta os dias.
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Descobrir meu nawalA sua Cruz e o seu cargador estão no Mapa completoDe onde vem esta página
Cada afirmação desta página foi conferida, página a página, em livros de ajq'ijab' e de pesquisadores que acompanharam a contagem viva. Quando só uma voz sustenta uma ideia, o texto diz isso no jeito de falar. Os autores não têm relação com o site.
Os livros e onde encontrarFontes citadas
- Ch'umilal Wuj — El Libro del Destino, Carlos Barrios · Open Library
- El Calendario Sagrado Maya: método para el cómputo del tiempo, Audelino Sac Coyoy
- El Tzolkin es más que un calendario, Walburga Rupflin-Alvarado
- Contemporary Maya Spirituality: The Ancient Ways Are Not Lost, Jean Molesky-Poz · Open Library
- Time and the Highland Maya, Barbara Tedlock · Open Library