Calendário maia · o Ano Novo
8 B'atz', o Ano Novo Maia
Wajxaqib' B'atz', o 8 B'atz', é o dia mais conhecido do calendário maia. É quando se iniciam os novos ajq'ijab', quando Momostenango faz o seu maior rito e o que hoje se festeja como Ano Novo Maia. Veja o que ele é, de onde vem esse nome e quando ele volta.
Atualizado em 7 de outubro de 2026
Em resumo
- O 8 B'atz' junta o número 8, o tempo inteiro, ao nawal B'atz', o fio.
- Hoje ele é festejado como Ano Novo Maia e reúne multidões nas cerimônias.
- É o dia em que os novos ajq'ijab' são apresentados e recebem as suas sementes.
- Não acompanha o ano solar: volta a cada 260 dias, e cai numa data diferente a cada vez.
- Se ele abre ou não o calendário depende de quem conta: há tradições que dizem que sim, e registros de campo sem primeiro dia fixo.
1. O número inteiro e o fio
No calendário de 260 dias, cada dia é um par de número e nome. O 8 B'atz' junta o 8, Wajxaqib', ao nawal B'atz', e o mesmo par só se repete depois de 260 dias.
O número já diz muito. Para os ajq'ijab' ouvidos em campo, o 8 soma o 1 que abre ao 7 que fecha: é a inteireza, o tempo completo. Por ser o 4 duas vezes, há quem o tenha por um número muito bom.
B'atz' é o fio. Em Momostenango, o nome do dia se lê como o fio que se tece, e é por essa imagem que o 8 B'atz' fala de vida que se trama e continua.
O número inteiro com o fio da vida.
2. Por que "Ano Novo"
Hoje o 8 B'atz' é festejado como Ano Novo Maia, e as cerimônias reúnem multidões. Para muitos praticantes, é ali que o ciclo de 260 dias começa: a contagem parte do 8 B'atz'.
Mas a ideia de um primeiro dia não é unânime. Nos registros de campo do altiplano, os que contam os dias não tinham dia inicial fixo: descreviam o calendário a partir do dia corrente e, quando insistiam com eles, escolhiam um dia de rito forte, como o 8 B'atz'.
As duas coisas convivem. O 8 B'atz' abre o ciclo para quem o conta assim, e é festejado como a celebração da continuidade da vida.
Ano Novo para quem o conta assim; dia grande para todos.
3. A iniciação dos ajq'ijab'
O 8 B'atz' é o dia mais comum para iniciar quem vai contar os dias. Nele, os novos ajq'ijab' são apresentados à comunidade e recebem a vara, as sementes de tz'ite' com que vão consultar o calendário.
A iniciação ocupa três dias seguidos. Na véspera, 7 Tz'i', o mestre pergunta ao aprendiz pelos sonhos e decide se o caminho segue. Depois vem o 8 B'atz', e no dia seguinte, 9 E, o novo ajq'ij começa o bom caminho de servir à sua gente.
A cerimônia é vista como um casamento do novo ajq'ij com as suas sementes, que se completa quarenta dias depois. Antes disso vêm meses de preparo com um mestre, aprendendo a ordem dos 260 dias, e esses meses são de vinte dias, os do próprio calendário.
No 8 B'atz', o aprendiz recebe as suas sementes.
4. O fio de uma vida nova
Uma tradição oral explica por que o ciclo abre nesse dia: o fio de uma vida nova só surge quando se enlaçam os braços e as pernas de uma mulher e de um homem. Quatro e quatro, oito.
No 8 B'atz' também se lembra a criação da gente humana, e se presta homenagem a quem cria, tece e faz arte. O fio do dia é o do tear e o da vida.
Há quem leia o dia pelo lado masculino e quem o leia pelo enlace dos dois. As duas leituras falam de começo.
Quatro braços e quatro pernas tecem uma vida.
5. O grande dia de Momostenango
Momostenango, no altiplano da Guatemala, é famosa pelo 8 B'atz'. Nenhum outro rito mesoamericano regido pelo calendário antigo junta tanta gente, e a cidade recebe peregrinos de outras comunidades, como El Palmar e Nebaj.
Ali, o tempo que vai dos dias 1 e 8 Kej aos dias 1 e 8 B'atz' concentra as permissões para os ritos pessoais e os da linhagem. O santuário do 8, o wajxakibal, é onde o novo ajq'ij é apresentado.
Em Santa María Chiquimula, o altar do leste leva o próprio nome do dia: Wajxaqib' B'atz'.
Um dia com nome de altar.
6. Quando ele volta
O 8 B'atz' volta a cada 260 dias, cerca de nove meses. Por isso não tem data fixa no calendário civil: cada vez ele cai num dia diferente, e às vezes há dois no mesmo ano.
O tempo de nove meses tem sentido próprio. Os k'iche' explicam os 260 dias pela gestação humana e pelo milho: semeado num dia, ele fica pronto quando o mesmo número e nome voltam.
Também não se confunde com o ano solar maia, de 365 dias, que tem o seu próprio dono, o Mam. São duas contas que andam juntas sem se misturar.
Por isso há dois anos novos maias. Um é o 8 B'atz', que volta a cada 260 dias. O outro é a virada do ano solar, quando um cargador novo entra: no altiplano, ela caiu em 18 de fevereiro de 2026, e a página do cargador mostra a data de cada ano.
Nove meses entre um 8 B'atz' e o próximo.
| Data | Quando |
|---|---|
| segunda-feira, 22 de junho de 2026 | passou |
| terça-feira, 9 de março de 2027 | próximo |
| quarta-feira, 24 de novembro de 2027 | |
| quinta-feira, 10 de agosto de 2028 |
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Cada afirmação desta página foi conferida, página a página, em livros de ajq'ijab' e de pesquisadores que acompanharam a contagem viva. Quando só uma voz sustenta uma ideia, o texto diz isso no jeito de falar. Os autores não têm relação com o site.
Os livros e onde encontrarFontes citadas
- Time and the Highland Maya, Barbara Tedlock · Open Library
- Contemporary Maya Spirituality: The Ancient Ways Are Not Lost, Jean Molesky-Poz · Open Library
- El Calendario Sagrado Maya: método para el cómputo del tiempo, Audelino Sac Coyoy
- El Tzolkin es más que un calendario, Walburga Rupflin-Alvarado
- Ch'umilal Wuj — El Libro del Destino, Carlos Barrios · Open Library